Não faça críticas à pessoa em cuja honra é dada a reunião.
Não faça observações sobre o acessório usado pela pessoa. Se as alças forem de alumínio, melhor fingir que não notou.
Se o cheiro das flores estiver muito forte, lembre-se que elas não foram enviadas para você e que a pessoa para quem foram enviadas está pouco se incomodando com as flores.
Ouça com a expressão mais atenta possíve as declarações oficiais sobre a personalidade e a vida da pessoa homenageada com a reunião.
Caso os dados não correspondam aos fatos, não cutuque o seu vizinho, não pise no pé dele, nem faça sinais para indicar que estão distribuindo balas aos presentes.
Se as informações sobre a pessoa homenageada na reunião forem exageradas, esquecaça. Não interrompa o discurso.
Nos treçhos emocionantes, emocione-se sempre de acordo com sua intimidade com os que promovem a reuinão, ou com a pessoa homenageada. No momento em que um parente soluça, um amigo íntimo deve se controlar e um estranho apenas procurar o lenço. Se a cerimônia for em honra de um militar, as emoções devem ser de acordo com o posto; o oficial mais graduado tem precedência no estupor emocional e os demais presentes conciliam seus sentimentos conforme o próprio status da cerimônia.
Não leve seu cachorro.
Mark Twain - Dicas úteis para uma vida fútil. Um manual prático para a maldita raça humana. 1881.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008
Howl's Moving Castle
Morar no país do carnaval e não curtir tem suas vantagens as vezes.
A minha foi ficar vendo filme o feriado inteiro. Contabilizando: 14.
Minha sessão pipoca teve de tudo: desenho, animação, entalatados hollywoodianos de ação, enlatados hollywoodianos de pseudocomédia romantica, terror, suspense e comédia da década de 80.
Como amante e fã de desenhos e animações é obvio que eu sugiro um ao invés de filmes com gente de verdade.

Minha sugestão é o título desse post: HOWL'S MOVING CASTLE. Animação e bem fora dos padrões enlatados de ultimamente. É anime e não é 3d. Quem não gosta pela parte estética, só lamento.
Os nomes em portugues podem ser:
-> O castelo andante
-> O castelo animado
Depende de que troço vc for locar. Se for jogar na mula melhor o nome original, é mais fácil achar legenda do que o filme. Enfim.
Boa sessão. Ou não.
Uma prévia do que é o filme CLIQUE AQUI
A minha foi ficar vendo filme o feriado inteiro. Contabilizando: 14.
Minha sessão pipoca teve de tudo: desenho, animação, entalatados hollywoodianos de ação, enlatados hollywoodianos de pseudocomédia romantica, terror, suspense e comédia da década de 80.
Como amante e fã de desenhos e animações é obvio que eu sugiro um ao invés de filmes com gente de verdade.

Minha sugestão é o título desse post: HOWL'S MOVING CASTLE. Animação e bem fora dos padrões enlatados de ultimamente. É anime e não é 3d. Quem não gosta pela parte estética, só lamento.
Os nomes em portugues podem ser:
-> O castelo andante
-> O castelo animado
Depende de que troço vc for locar. Se for jogar na mula melhor o nome original, é mais fácil achar legenda do que o filme. Enfim.
Boa sessão. Ou não.
Uma prévia do que é o filme CLIQUE AQUI
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sophie hatter
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008
Inferno
Inferno é um termo usado por diferentes religiões, mitologias e filosofias, representando a morada dos mortos, ou lugar de grande sofrimento e de condenação. A origem do termo é latina: infernum, que significa "as profundezas" ou o "mundo inferior".
Na mitologia Grega clássica, o inferno é para onde vão os mortos, o reino Hades, o deus da Morte do panteão helênico.
Os hindus e os budistas consideram o inferno como lugar de purificação espiritual e de restauração final.
A tradição islâmica o considera como um lugar de castigo eterno.”
O conceito de sofrimento após a morte é encontrado entre os ensinos religiosos pagãos dos povos antigos da Babilônia e do Egito. As crenças dos babilônios e dos assírios retratavam o “mundo inferior . . . como lugar cheio de horrores, . . . presidido por deuses e demônios de grande força e ferocidade”. Embora os antigos textos religiosos egípcios não ensinem que a queima de qualquer vítima individual prosseguiria eternamente, eles deveras retratam o “Outro Mundo” como tendo “covas de fogo” para “os condenados”.
No Cristianismo o inferno depende da corrente cristã a qual os fiéis fazem parte. Pode ser desde lugar de condenação eterna para os pecadores, como também um lugar onde não existe Deus, e , portanto existe sofrimento (porque eu tenho a impressão de que isso também serve para descrever o nosso planeta?)
Para o Espiritismo não existe um inferno propriamente dito. O inferno são outros planetas, ou esferas onde existe vida, para os espíritos menos evoluídos. Também é um lugar de sofrimento.
Algumas frases interessantes:
"O inferno são os outros"
Sartre
Concordo com o Sartre.
Na mitologia Grega clássica, o inferno é para onde vão os mortos, o reino Hades, o deus da Morte do panteão helênico.
Os hindus e os budistas consideram o inferno como lugar de purificação espiritual e de restauração final.
A tradição islâmica o considera como um lugar de castigo eterno.”
O conceito de sofrimento após a morte é encontrado entre os ensinos religiosos pagãos dos povos antigos da Babilônia e do Egito. As crenças dos babilônios e dos assírios retratavam o “mundo inferior . . . como lugar cheio de horrores, . . . presidido por deuses e demônios de grande força e ferocidade”. Embora os antigos textos religiosos egípcios não ensinem que a queima de qualquer vítima individual prosseguiria eternamente, eles deveras retratam o “Outro Mundo” como tendo “covas de fogo” para “os condenados”.
No Cristianismo o inferno depende da corrente cristã a qual os fiéis fazem parte. Pode ser desde lugar de condenação eterna para os pecadores, como também um lugar onde não existe Deus, e , portanto existe sofrimento (porque eu tenho a impressão de que isso também serve para descrever o nosso planeta?)
Para o Espiritismo não existe um inferno propriamente dito. O inferno são outros planetas, ou esferas onde existe vida, para os espíritos menos evoluídos. Também é um lugar de sofrimento.
Algumas frases interessantes:
"Até Deus tem um inferno: é o seu amor pelos homens."
Nietzsche"Não há outro inferno para o homem além da estupidez ou da maldade dos seus semelhantes."
Marquês de Sade"Todo o inferno está contido nesta única palavra: solidão."
Victor Hugo"O inferno são os outros"
Sartre
Concordo com o Sartre.
domingo, 27 de janeiro de 2008
Estranhos no paraíso
"Strangers in paradise" é uma premiada série de quadrinhos de Terry Moore e meu objeto de estudo nos próximos meses. Estou tentando - muito "ando" - fazer uma análise da represetação da mulher nos quadrinhos.
Essa série é sobre duas mulheres, comuns. Sem superpoderes, organizações secretas - ok, tem algo que chega perto disso, uma espécie de sub-rede de prostituição de mulheres para mulheres - mas o essencial é a simplicidade e suavidade das personagens. Humanas e complexas e errantes. A versão heróica do homem comum, que como diz a música do "Rocky Horror Picture Show":
Essa série é sobre duas mulheres, comuns. Sem superpoderes, organizações secretas - ok, tem algo que chega perto disso, uma espécie de sub-rede de prostituição de mulheres para mulheres - mas o essencial é a simplicidade e suavidade das personagens. Humanas e complexas e errantes. A versão heróica do homem comum, que como diz a música do "Rocky Horror Picture Show":
And crawling on the planet's face
Some insects called the human race
Lost in time, and lost in space
And meaning
Às vezes só o fato de suportar a vida pode nos tornar heróicos.
Bem, o caso é que existe junto à historinha, uma série de poesias e músicas, algumas que o próprio Moore Fez.
E esse post todo é pra falar exatamente dessa, que se segue. Minha preferida.
Explain how you know how I feel
Explain to me the seasonal tides
Tell me the secrets of your world
Tell me the secrets of mine
Explain why you’re drawn to me
Explain why the moon’s up above
Tell me why snow tastes like it does
Tell my why I’m in love.
Explain why you’re so distant to me
Explain what I’ve done that’s so wrong
Tell me why we’re bundles of contradictions
Tell me why the snow’s almost gone
Explain how it is that we work
Explain why the earth’s still asleep
Tell me about the pain in your eyes
Tell me what I have left to keep
Explain why you’re kind to me
Explain why it is that you hide
Tell me why Tori affects you like she does
Tell me why you haven’t lied
Explain why I’m drawn to you
Explain why the moon’s up above
Tell me why the snow tastes like it does
Tell me I’m not in love.
- “Mourning Hope”
A Dirge of Awakening
G. Benjamin Ensor
Essas palavras ecoam humanidade. E eu acho que estou perdida entre elas também.
Leiam Estranhos no Paraíso!
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estranhos no paraiso,
sip,
strangers in paradise
quinta-feira, 17 de janeiro de 2008
ócio produtivo
No momento estamos passando por uma reciclagem necessária para produzirmos artigos melhores do que já produzimos!!!
terça-feira, 11 de dezembro de 2007
POP: abaixo a imposição da passividade burra!
A cultura pop, ou popular - para os metidos a erudição a Cultura Vernacular - é o que há de mais abrangente em termos de cultura de massa. A maioria das pessoas discute o pop em uma dicotomia: o pop como simulacro cultural, ou seja a máxima, o ideal quase surreal de manifestação cultural e de preenchimento do vazio identitário dos pós-modernos.
Outros pensam a cultura vernacular como algo raso, ignóbil, produzido em escala taylorista para as massas não pensantes. E como a maioria destes ultimos julgam-se extremamente pensantes, tendem a encaixar o pop numa categoria de "coisa-ruim-que-deveria-ser-banida-do-universo"
O que eu pretendo é defender outros pontos de vista, claro, senão não me daria ao trabalho de escrever aqui.
Bem, quanto ao primeiro conceito não há nem o que discutir. Odeio qualquer coisa que atinja um patamar de realidade completa e máxima de qualquer coisa que seja.
Eu queria mesmo é discutir com os segundos, que falam mal do pop.
Eu acredito que quando pensamos cultura, pensamos muito nos meios e por isso os confundimos com os fins.
Esse conceito de que a cultura produzida para as massas, o pop, é uma coisa rasa, tem fundamento em pensar os consumidores do pop como agentes passivos do contexto. Uma falácia. Ninguem consome cultura passivamente. Não há como negar a influencia que o meio realiza no indivíduo. Caso que não se discute, pra não entrar em redundancia mais. Ainda assim, é incabível pensar que o público aceita o pop passivamente.
Acredito que o que causa confusão é, precisamente, o fato de que o publico pop é menos rigoroso -em certos aspectos, sobretudo os técnicos - em relação à cultura erudita, entretanto, porém, contudo, existem aspectos dessa aceitação que são inegáveis.
Os "15 minutos de fama" são um exemplo disso. A industria de massa pode, e consegue facilmente, lançar artistas enlatados. A questão é o quanto de aceitação do público esses artistas conseguem. Vemos diversas carreiras seguirem um trajeto de parábola, cuja linha ultrapassa o marco zero. Isso porque o pop aceita com mais facilidade, mas depois que experimenta, sabe rejeitar também.
O erudito não. Já detona a maioria antes mesmo de provarem algum valor (o que, concordo, geralmente não têm.)
Outra coisa que eu acho que deve ser levada em conta quando falamos de cultura, e aí volto para a questão dos fins e meios, é a finalidade com a qual se está produzindo determinada coisa.
Porra, não dá pra assistir filme hollywoodiano esperando "insights" extraordinários.
Muitas das vezes o objetivo é apenas divertir. APENAS isso. Divertir-se não implica necessariamente em pensar. Como pensar também não implica necessariamente que deva ser em coisas chatas e enfadonhas.
Assim, acredito que quando a crítica erudita fala mal do pop, deveria levar em conta o que ela espera da cultura popular. Porque se espera que essa tenha um caráter erudito, vai, numa expressão popular, "pagar mico". Isso vale para todos os críticos do pop. Ler um livro Best-seller e descobrirem a resposta pra origem da vida é loucura. E já que os cabe, o papel da racionalização da vida, que sejamos, ao menos, razoáveis.
E outra coisa, fica aí para futuras elocubrações: vivemos uma sociedade individual que tem como modelo a construção da sua identidade a partir da negação das outras -cartesiana até a morte - porque não pensar, na construção da sua identidade a partir de outras? Afinal nenhum individuo é só no mundo. Somos individuos do mundo, no mundo, por mais que desejemos sair dele.
Outros pensam a cultura vernacular como algo raso, ignóbil, produzido em escala taylorista para as massas não pensantes. E como a maioria destes ultimos julgam-se extremamente pensantes, tendem a encaixar o pop numa categoria de "coisa-ruim-que-deveria-ser-banida-do-universo"
O que eu pretendo é defender outros pontos de vista, claro, senão não me daria ao trabalho de escrever aqui.
Bem, quanto ao primeiro conceito não há nem o que discutir. Odeio qualquer coisa que atinja um patamar de realidade completa e máxima de qualquer coisa que seja.
Eu queria mesmo é discutir com os segundos, que falam mal do pop.
Eu acredito que quando pensamos cultura, pensamos muito nos meios e por isso os confundimos com os fins.
Esse conceito de que a cultura produzida para as massas, o pop, é uma coisa rasa, tem fundamento em pensar os consumidores do pop como agentes passivos do contexto. Uma falácia. Ninguem consome cultura passivamente. Não há como negar a influencia que o meio realiza no indivíduo. Caso que não se discute, pra não entrar em redundancia mais. Ainda assim, é incabível pensar que o público aceita o pop passivamente.
Acredito que o que causa confusão é, precisamente, o fato de que o publico pop é menos rigoroso -em certos aspectos, sobretudo os técnicos - em relação à cultura erudita, entretanto, porém, contudo, existem aspectos dessa aceitação que são inegáveis.
Os "15 minutos de fama" são um exemplo disso. A industria de massa pode, e consegue facilmente, lançar artistas enlatados. A questão é o quanto de aceitação do público esses artistas conseguem. Vemos diversas carreiras seguirem um trajeto de parábola, cuja linha ultrapassa o marco zero. Isso porque o pop aceita com mais facilidade, mas depois que experimenta, sabe rejeitar também.
O erudito não. Já detona a maioria antes mesmo de provarem algum valor (o que, concordo, geralmente não têm.)
Outra coisa que eu acho que deve ser levada em conta quando falamos de cultura, e aí volto para a questão dos fins e meios, é a finalidade com a qual se está produzindo determinada coisa.
Porra, não dá pra assistir filme hollywoodiano esperando "insights" extraordinários.
Muitas das vezes o objetivo é apenas divertir. APENAS isso. Divertir-se não implica necessariamente em pensar. Como pensar também não implica necessariamente que deva ser em coisas chatas e enfadonhas.
Assim, acredito que quando a crítica erudita fala mal do pop, deveria levar em conta o que ela espera da cultura popular. Porque se espera que essa tenha um caráter erudito, vai, numa expressão popular, "pagar mico". Isso vale para todos os críticos do pop. Ler um livro Best-seller e descobrirem a resposta pra origem da vida é loucura. E já que os cabe, o papel da racionalização da vida, que sejamos, ao menos, razoáveis.
E outra coisa, fica aí para futuras elocubrações: vivemos uma sociedade individual que tem como modelo a construção da sua identidade a partir da negação das outras -cartesiana até a morte - porque não pensar, na construção da sua identidade a partir de outras? Afinal nenhum individuo é só no mundo. Somos individuos do mundo, no mundo, por mais que desejemos sair dele.
quarta-feira, 28 de novembro de 2007
Indústria da Beleza Parte II - O consumo da Imagem
Reza a lenda que há muito tempo na Grécia antiga, um belo rapaz deixou-se consumir diante da margem de um rio, apaixonado pela imagem refletida nas suas águas, sem perceber que se apaixonara por si mesmo. O filme Diabo veste Prada (The Devil Wears Prada, EUA, 2006) poderia ser uma releitura Hollywoodiana do Mito do Narciso, é a tradução das questões pós-modernas. Hedonismo, narcisismo, busca por uma carreira pessoal bem sucedida e poder como o fim absoluto. Valores e relações afetivas são descartáveis como meros bens de consumo. Miranda Priestly, no seu templo de poder – a revista Runway Magazine – dita as ordens com tal habilidade e convicção, que demonstra saber manipular pessoas como se fossem fantoches, pois sabe que sua moeda de troca é alta: status e poder. Para Marcel Maus nessa relação de troca de Miranda se daria a dádiva, pois para ele basta haver uma prestação unilateral, um favorecimento e uma aceitação para haver a dádiva e essa prestação unilateral para gerar valor; isto é, uma ética impõe-se mesmo aqueles que não retribuem ainda que isso ocorra em cada caso específico.
Marcel Mauss, um antropólogo francês que viveu na primeira metade do século XX, produziu um artigo chamado “Uma categoria do espírito humano: a noção de pessoa, a noção de ‘eu’” (1938), onde expõe a história do processo de progressiva individualização por que passou nossa civilização. Nas sociedades ditas “primitivas”, o máximo de individualização era representado pela atribuição dada a alguns de seus membros, de um papel ritual herdado por nascimento. A idéia de “pessoa” surgiu entre os gregos, inicialmente com o sentido associado às máscaras utilizadas nas encenações rituais e teatrais. Assim, “pessoa” era a interpretação de um personagem, cujos atos não eram de autoria de seu intérprete. Per-sonare significa “soar através de” (o orifício da máscara). Somente na Roma Antiga, com o desenvolvimento de um sistema de trocas internas e externas entre grupos e pessoas, a idéia de persona passou, das máscaras que os atores dos dramas rituais usavam, para designar os próprios atores. Surgia a noção jurídica de “pessoa” que, entretanto, não se aplicava aos escravos, estrangeiros e mulheres. Seguindo neste percurso, por influência do cristianismo em Roma, a responsabilidade moral passou a ser um atributo da pessoa. Mas, até a modernidade (a teoria cartesiana é emblemática desta transformação), a determinação do que era cada “pessoa” dependia de fatores externos (sociais). São as mudanças sociais, políticas e ideológicas dos séculos XVII e XVIII que vão estabelecer o ideal de autonomia dos indivíduos. A partir deste momento, é fortalecida a crença na racionalidade científica como critério de verdade e na liberdade das consciências individuais para decidir seus destinos. Entre as conseqüências da modernidade, pode-se observar que a ciência e as tecnologias progrediram rapidamente, mas as novas formas de relações sociais que surgiram passaram a exigir novas estratégias para conciliar as liberdades individuais com a organização da sociedade. Na contemporaneidade, vive-se num mundo imagético, onde o culto ao corpo é a nova ordem. Maus prossegue afirmando que todo ato educativo é técnica corporal, e que as técnicas corporais são “sistemas de montagens simbólicas”. Nas palavras de Geertz: “o homem é um animal simbolizante”. Roupas de grife são – símbolos - o sonho de consumo e a explicitação do sucesso pessoal dos indivíduos. Por esta aparência se luta, pois esta passou a ser seu passaporte social e/ou a carteira de identidade das pessoas. E porque não dizer o caminho de sua felicidade. O descontrole das posições entre homem e dinheiro, onde o último se torna senhor do primeiro, corrobora a queixa de que o dinheiro é o deus da nossa época. Porquanto a ele são atribuídos padrões de segurança, harmonia e realização individual. A cultura do consumismo é uma realidade do século XXI, onde a posse é sinônimo de status, e numa alusão à singularidade do individuo estes têm necessidade de refletir-se no outro, quer seja uma personagem da novela, um cantor famoso ou o participante de um reality show.
É na busca desse homem por um sentido, na sua fuga da solidão, onde ele vê no outro um paradigma de socialização, que o dinheiro tem seu vulto comercial endêmico. A posse sempre estabeleceu fronteiras entre os indivíduos, sempre equiparou uns em detrimento de outros. A moral, a ética, a responsabilidade social, o bem-comum, adquiriu aspectos relativos ante a necessidade de auto-afirmação. É verdadeiramente a cultura do individualismo.
E Miranda abusa deste novo “valor”, despertando a ambição nas pessoas, com as quais em alguns momentos se identifica, pois se vê projetada nelas, nesta busca “inescrupulosa”. Ela trata as pessoas como marionetes, traça suas estratégias de sucesso e prestígio descartando funcionários competentes, porém sabe que estes estão vinculados a ela não por afeto, mas por interesses narcísicos. Miranda torna-se um exemplo para aqueles que se acham superiores, demostrando isso todo o tempo. Miranda representa bem a noção de pessoa Maus, pois sua persona é construída socialmente através de toda uma pedagogia técnica e simbólica que institui o sentido do corpo e de sua individualidade para o sujeito, é uma das formas fundamentais do pensamento e da ação dos indivíduos, sendo, portanto, uma representação coletiva, uma categoria do entendimento; e, como toda categoria do entendimento, ela não é inata. E de acordo com Marshal Sahlins Miranda age de acordo com a estrutura da conjuntura da sua realidade.
A ação simbólica é um composto duplo, constituído por um passado inescapável porque os conceitos através dos quais a experiência é organizada e comunicada procedem do esquema cultural preexistente. E um passado irredutível por causa da singularidade do mundo em cada ação: a diferença heraclitiana entre a experiência única do rio e seu nome. A diferença reside na irredutibilidade dos atores específicos e de seus conceitos empíricos que nunca são precisamente iguais a outros atores e outras situações - nunca é possível entrar no rio duas vezes. As pessoas, enquanto responsáveis por suas próprias ações, realmente se tornam autoras de seus conceitos; porque, se sempre há um passado no presente, um sistema a priori de interpretação, há também "uma vida que se deseja a si mesma" (como diria Nietzsche). (Sahlins, 1990, p. 189)
A intenção é atentar para a existência de uma certa "estrutura da conjuntura" (Sahlins, 1990), que implica pensar, ao mesmo tempo, nas persistências e em suas atualizações. Segundo Louis Dumont, antropólogo francês, esse individualismo expresso por Miranda está intrinsecamente relacionado com duas definições básicas: a do indivíduo–no-mundo e a do indivíduo-fora-do-mundo. Sua defesa do individualismo se fundamenta na concepção de um homem que superou o holismo e obteve um caráter empírico “que fala, pensa e crê, ou seja, a amostra individual da espécie humana, tal como a encontramos em todas as sociedades” (Dumont, 1985: p.37). Seja nas entranhas do cristianismo, na ambição do homem renascentista ou na auto-afirmação do homem moderno, o individualismo traz em si uma posição particular diante do sistema em que o mesmo está inserido. Dumont (1985) faz uma volta ao passado e busca nos primórdios cristãos o que viria a ser o individualismo moderno. Porém, Dumont diz:
“...algo do individualismo moderno está presente nos primeiros cristão e no mundo que os cerca, mas não se trata do individualismo que nos é familiar” (1985, p. 36).
O discurso do consumo (dentro do capitalismo) gira em torno da auto-responsabilidade, no último momento. Serei indivíduo auto-responsável se usar da minha liberdade para melhor gerenciar minha vida, com o fim primeiro de acumular o tanto de dinheiro possível quanto possa garantir a minha singularidade. É comum na cultura moderna os homens se distinguirem pela quantidade de dinheiro que os mesmos possuem. Se o que caracteriza o individualismo é a liberdade, a distinção e a auto-responsabilidade, ou seja, a satisfação dos desejos pessoais, o individualismo na cultura moderna não passa de um conceito. Ou, no máximo, de um conceito para poucos. Para aqueles que buscam se aproximar do estado de natureza dos homens, para os que buscam ser livres de todos e de tudo, tanto interior quanto -exteriormente, poderiam ser vistos como os “renunciantes” do sistema; os “indivíduos-no-mundo” -não sociais, mas naturais-; os “seres morais”, portadores dos valores supremos da natureza. Porém, no mundo moderno, estes individualistas são tidos como loucos. Vemos que assim como Miranda as vezes essa liberdade de consumir segue juntamente com a perca de algo. Ela era extremamente bem sucedida no trabalho, porém sua vida afetiva sempre estava em frangalho. A dádiva sempre se cumpre, vemos isso na estória de Miranda, ela sempre recebia o pedido de divórcio dos seus maridos por causa do seu consumo pelo poder e status.
Marcel Mauss, um antropólogo francês que viveu na primeira metade do século XX, produziu um artigo chamado “Uma categoria do espírito humano: a noção de pessoa, a noção de ‘eu’” (1938), onde expõe a história do processo de progressiva individualização por que passou nossa civilização. Nas sociedades ditas “primitivas”, o máximo de individualização era representado pela atribuição dada a alguns de seus membros, de um papel ritual herdado por nascimento. A idéia de “pessoa” surgiu entre os gregos, inicialmente com o sentido associado às máscaras utilizadas nas encenações rituais e teatrais. Assim, “pessoa” era a interpretação de um personagem, cujos atos não eram de autoria de seu intérprete. Per-sonare significa “soar através de” (o orifício da máscara). Somente na Roma Antiga, com o desenvolvimento de um sistema de trocas internas e externas entre grupos e pessoas, a idéia de persona passou, das máscaras que os atores dos dramas rituais usavam, para designar os próprios atores. Surgia a noção jurídica de “pessoa” que, entretanto, não se aplicava aos escravos, estrangeiros e mulheres. Seguindo neste percurso, por influência do cristianismo em Roma, a responsabilidade moral passou a ser um atributo da pessoa. Mas, até a modernidade (a teoria cartesiana é emblemática desta transformação), a determinação do que era cada “pessoa” dependia de fatores externos (sociais). São as mudanças sociais, políticas e ideológicas dos séculos XVII e XVIII que vão estabelecer o ideal de autonomia dos indivíduos. A partir deste momento, é fortalecida a crença na racionalidade científica como critério de verdade e na liberdade das consciências individuais para decidir seus destinos. Entre as conseqüências da modernidade, pode-se observar que a ciência e as tecnologias progrediram rapidamente, mas as novas formas de relações sociais que surgiram passaram a exigir novas estratégias para conciliar as liberdades individuais com a organização da sociedade. Na contemporaneidade, vive-se num mundo imagético, onde o culto ao corpo é a nova ordem. Maus prossegue afirmando que todo ato educativo é técnica corporal, e que as técnicas corporais são “sistemas de montagens simbólicas”. Nas palavras de Geertz: “o homem é um animal simbolizante”. Roupas de grife são – símbolos - o sonho de consumo e a explicitação do sucesso pessoal dos indivíduos. Por esta aparência se luta, pois esta passou a ser seu passaporte social e/ou a carteira de identidade das pessoas. E porque não dizer o caminho de sua felicidade. O descontrole das posições entre homem e dinheiro, onde o último se torna senhor do primeiro, corrobora a queixa de que o dinheiro é o deus da nossa época. Porquanto a ele são atribuídos padrões de segurança, harmonia e realização individual. A cultura do consumismo é uma realidade do século XXI, onde a posse é sinônimo de status, e numa alusão à singularidade do individuo estes têm necessidade de refletir-se no outro, quer seja uma personagem da novela, um cantor famoso ou o participante de um reality show.
É na busca desse homem por um sentido, na sua fuga da solidão, onde ele vê no outro um paradigma de socialização, que o dinheiro tem seu vulto comercial endêmico. A posse sempre estabeleceu fronteiras entre os indivíduos, sempre equiparou uns em detrimento de outros. A moral, a ética, a responsabilidade social, o bem-comum, adquiriu aspectos relativos ante a necessidade de auto-afirmação. É verdadeiramente a cultura do individualismo.
E Miranda abusa deste novo “valor”, despertando a ambição nas pessoas, com as quais em alguns momentos se identifica, pois se vê projetada nelas, nesta busca “inescrupulosa”. Ela trata as pessoas como marionetes, traça suas estratégias de sucesso e prestígio descartando funcionários competentes, porém sabe que estes estão vinculados a ela não por afeto, mas por interesses narcísicos. Miranda torna-se um exemplo para aqueles que se acham superiores, demostrando isso todo o tempo. Miranda representa bem a noção de pessoa Maus, pois sua persona é construída socialmente através de toda uma pedagogia técnica e simbólica que institui o sentido do corpo e de sua individualidade para o sujeito, é uma das formas fundamentais do pensamento e da ação dos indivíduos, sendo, portanto, uma representação coletiva, uma categoria do entendimento; e, como toda categoria do entendimento, ela não é inata. E de acordo com Marshal Sahlins Miranda age de acordo com a estrutura da conjuntura da sua realidade.
A ação simbólica é um composto duplo, constituído por um passado inescapável porque os conceitos através dos quais a experiência é organizada e comunicada procedem do esquema cultural preexistente. E um passado irredutível por causa da singularidade do mundo em cada ação: a diferença heraclitiana entre a experiência única do rio e seu nome. A diferença reside na irredutibilidade dos atores específicos e de seus conceitos empíricos que nunca são precisamente iguais a outros atores e outras situações - nunca é possível entrar no rio duas vezes. As pessoas, enquanto responsáveis por suas próprias ações, realmente se tornam autoras de seus conceitos; porque, se sempre há um passado no presente, um sistema a priori de interpretação, há também "uma vida que se deseja a si mesma" (como diria Nietzsche). (Sahlins, 1990, p. 189)
A intenção é atentar para a existência de uma certa "estrutura da conjuntura" (Sahlins, 1990), que implica pensar, ao mesmo tempo, nas persistências e em suas atualizações. Segundo Louis Dumont, antropólogo francês, esse individualismo expresso por Miranda está intrinsecamente relacionado com duas definições básicas: a do indivíduo–no-mundo e a do indivíduo-fora-do-mundo. Sua defesa do individualismo se fundamenta na concepção de um homem que superou o holismo e obteve um caráter empírico “que fala, pensa e crê, ou seja, a amostra individual da espécie humana, tal como a encontramos em todas as sociedades” (Dumont, 1985: p.37). Seja nas entranhas do cristianismo, na ambição do homem renascentista ou na auto-afirmação do homem moderno, o individualismo traz em si uma posição particular diante do sistema em que o mesmo está inserido. Dumont (1985) faz uma volta ao passado e busca nos primórdios cristãos o que viria a ser o individualismo moderno. Porém, Dumont diz:
“...algo do individualismo moderno está presente nos primeiros cristão e no mundo que os cerca, mas não se trata do individualismo que nos é familiar” (1985, p. 36).
O discurso do consumo (dentro do capitalismo) gira em torno da auto-responsabilidade, no último momento. Serei indivíduo auto-responsável se usar da minha liberdade para melhor gerenciar minha vida, com o fim primeiro de acumular o tanto de dinheiro possível quanto possa garantir a minha singularidade. É comum na cultura moderna os homens se distinguirem pela quantidade de dinheiro que os mesmos possuem. Se o que caracteriza o individualismo é a liberdade, a distinção e a auto-responsabilidade, ou seja, a satisfação dos desejos pessoais, o individualismo na cultura moderna não passa de um conceito. Ou, no máximo, de um conceito para poucos. Para aqueles que buscam se aproximar do estado de natureza dos homens, para os que buscam ser livres de todos e de tudo, tanto interior quanto -exteriormente, poderiam ser vistos como os “renunciantes” do sistema; os “indivíduos-no-mundo” -não sociais, mas naturais-; os “seres morais”, portadores dos valores supremos da natureza. Porém, no mundo moderno, estes individualistas são tidos como loucos. Vemos que assim como Miranda as vezes essa liberdade de consumir segue juntamente com a perca de algo. Ela era extremamente bem sucedida no trabalho, porém sua vida afetiva sempre estava em frangalho. A dádiva sempre se cumpre, vemos isso na estória de Miranda, ela sempre recebia o pedido de divórcio dos seus maridos por causa do seu consumo pelo poder e status.
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